Vista Exige muita máquina
Curiosamente, no campo da informática, formam-se tribos aguerridas que “torcem” por seu programa predileto, seu dileto sistema operacional, seu hardware preferido, sua empresa querida ou seja lá o que for que, por uma razão ou outra, tenha conquistado seus corações e mentes. Eu mesmo, há alguns anos, fui severamente esculachado pela tribo dos usuários do MSX, micrinho pelo qual tenho a maior simpatia por ter sido minha primeira máquina, em virtude de um comentário que julguei ser elogioso mas que, ao contrário, por mal interpretado, feriu os brios dos membros da insuspeitadamente belicosa casta dos MSXzeiros (a quem, desde já, peço desculpas se porventura o comentário acima for considerado ofensivo).
Isto não é uma queixa, é uma constatação. A natureza humana é assim mesmo, gregária por excelência, e cada indivíduo se sente mais seguro e mais importante quando faz parte de um grupo, de uma tribo, de uma facção, de uma religião, de um partido, enfim, de um conjunto de pessoas que compartilham seus sentimentos. Alguns exageram, naturalmente. Eu mesmo jamais entendi o que leva um indivíduo a disparar uma arma de fogo contra alguém que ele não conhece e nunca viu apenas porque a vítima enverga uma camisa de um time de futebol “inimigo”. Dizem eles que é por “amor ao clube”, mas minha minguada inteligência não consegue descortinar as razões que fazem com que se mate um desconhecido, eventualmente pai de família que fará imensa falta aos seus, por amor a uma instituição cuja existência ou inexistência não faria a menor diferença na face da terra. Mas as pessoas são assim e não há de que reclamar, apenas aceitá-las como são e seguir adiante.
Pois bem: muitos dos comentários acima referidos foram movidos exatamente por sentimento semelhante: mero amor ou desamor. Não creio (se bem que, com mais de sessenta anos de experiência de vida, não descarte a possibilidade) que eu venha a ser emboscado e executado a tiros de escopeta por um ou mais dos detratores de Vista ou “inimigos” da Microsoft apenas porque, depois de usar o sistema operacional por algum tempo, me afeiçoei a ele e descobri que traz vantagens que me agradam (e desvantagens que não chegam a me incomodar muito). E haver cometido a temeridade de publicar que gostei dele (ou, segundo alguns, cometer o crime de “defendê-lo”). Mas tenho certeza que se vocês lerem alguns dos comentários a que me referi irão perceber que são movidos pelo mesmo tipo de sentimento (e mesma lógica) que leva o torcedor do Flamengo a garantir que ele é melhor que o Palmeiras ou que o Internacional ou que o Coritiba ou seja lá de que outro clube, nacional ou estrangeiro (ou vice-versa). São comentários do tipo “a MS vai se ferrar e não adianta querer forçar todo o mundo a usar o Vista que o público não irá aceitá-lo”. O fato de que, no mundo real, a porcentagem dos usuários de Vista estar aumentando lenta, porém continuamente, contrariando suas (dele) previsões ou desejos, para ele não tem a menor importância. Afinal, o que são meros fatos diante de suas convicções?
Escrito por Robson às 15h42
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Windows Vista
Boa parte das reclamações sobre o Vista têm a ver com o tema “memória”, seja primária (RAM), seja secundária (funcionamento do disco rígido). As mais comuns são:
- Mesmo que se instale 4 GB de memória RAM (o máximo suportado por um barramento de 32 linhas como os dos processadores “de 32 bits”) Vista não consegue usar toda a capacidade instalada;
- Windows Vista exige memória “demais”;
- Além disso, por mais que se aumente a capacidade de memória RAM instalada, Vista a consome quase toda (e alguns acrescentam que esse “uso excessivo” de memória torna o desempenho mais lento);
- Independente da capacidade de memória RAM disponível, o disco rígido parece não “parar” jamais, mantendo-se em funcionamento mesmo quando não se está carregando qualquer programa, gravando arquivos ou pesquisando dados (e alguns atribuem – erroneamente – esta aparentemente incessante atividade à necessidade de acesso ao arquivo de troca da memória virtual – que em Windows Vista chama-se “page file” – devido à insuficiência de memória RAM).
Resumindo: a impressão que se tem das reclamações sobre memória é que os usuários que as fazem acham que Vista precisa de muita memória porque não consegue administrá-la bem. Na verdade o que ocorre é exatamente o oposto: Vista requisita muita memória porque aperfeiçoou a forma pela qual Windows XP a administra e com isto conseguiu uma melhoria apreciável no desempenho. Mas vamos por partes.
O maior número que pode ser escrito com 20 bits (em binário, naturalmente) é a vigésima potência da base 2, que corresponde a 1.048.576 (1 M). Logo, endereços maiores que 1 M jamais poderiam ser acessados pelo simples fato de que não “caberiam” no barramento. E como, na época do desenvolvimento do DOS, 1 MB era uma capacidade de memória inimaginável (a maioria dos micros “de 8 bits” vinham com 16 KB de memória RAM e o primeiro PC da IBM foi fabricado com 64 KB que poderiam ser estendidos até, imaginem, 256 KB!) os responsáveis pelo desenvolvimento do DOS decidiram reservar os endereços que ocupavam os 384 K do final do espaço de endereçamento para uso exclusivo de tabelas e rotinas usadas pelas placas controladoras e por algumas funções do sistema operacional. Por isso sobraram apenas os 640 K iniciais para código e dados.
Escrito por robson às 16h26
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